Aviação Executiva: uma atividade econômica subestimada no Brasil
- 27 de fev.
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Em junho de 2024, publiquei um artigo intitulado "Aviação executiva: o desafio de provar sua importância", no qual destaquei a relevância desse setor para a economia e conectividade, especialmente em países de dimensões continentais como o Brasil. Recentemente, um estudo realizado nos Estados Unidos reforça essa perspectiva, apresentando dados que podem servir de referência para o contexto brasileiro.
O relatório, conduzido pela PwC e encomendado por associações líderes da aviação geral, revela que, em 2023, a aviação geral nos EUA contribuiu com impressionantes US$ 339,2 bilhões para a economia nacional, sustentando aproximadamente 1,33 milhão de empregos. Esses números englobam desde a fabricação de aeronaves e componentes até operações de voo, manutenção e outras atividades correlatas.
No Brasil, embora a aviação executiva desempenhe um papel fundamental na integração de regiões não servidas pela aviação regular e na otimização do tempo de executivos e profissionais, parece-me não haver relatórios recentes que mensurem esse impacto de forma detalhada.
Considerando que o Brasil possui a segunda maior frota de aeronaves executivas do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos, é plausível inferir que os benefícios observados no mercado norte-americano poderiam ser replicados em nosso país. A aviação executiva aqui não só facilita o acesso a áreas de infraestrutura limitada, mas também impulsiona setores como agronegócio, saúde e turismo, contribuindo significativamente para o desenvolvimento econômico regional e nacional.
No entanto, a falta de uma infraestrutura adequada e as dificuldades cada vez maiores impostas por diferentes atores prejudicam ainda mais esse cenário. Um exemplo recente é o corte de 50% dos slots em Congonhas, sem que essa redução mostrasse, efetivamente, quaisquer ganhos para a aviação comercial, que não utiliza a pista auxiliar desse aeroporto. O aeroporto mais importante para sustentar os benefícios mostrados no estudo da PwC opera com somente 4 slots por hora para a aviação geral.
Portanto, é imperativo que se promova uma maior valorização e compreensão do papel da aviação executiva no Brasil. Investir em estudos que quantifiquem seus benefícios pode auxiliar na formulação de políticas públicas mais assertivas, desmistificando a percepção de luxo associada ao setor e evidenciando sua importância estratégica para o país.
O estudo da GAMA está disponível em https://gama.aero/wp-content/uploads/General-Aviations-Contribution-to-the-US-Economy_Final_021925.pdf





Obrigado pelo comentário, Vivien.
Boa parte da iniciativa para as melhorias tem que partir de nós mesmos, profissionais da aviação. Costumo dizer que só ficar reclamando em grupos de Whatsapp não leva a nada. É preciso registrar sugestões e perguntas pelo SEI! da ANAC, pelo SAC do DECEA e por outros canais das concessionárias de aeroportos, por exemplo.
Em minha opinião, falta-nos, ainda, uma melhor representatividade do setor.
Bons voos!
Excelente trabalho. Na infraestrutura para a aviação executiva encontramos campo para melhorias, mas não só ai. Questões operacionais também precisam avançar, como operações single pilot, treinamento e segurança operacional aplicada ao nicho. Há quem seja descrente de que vem haver melhoras, mas depende de nós e de estudos como estes para incentivar investimentos, consciência e possibilidades de melhorias para o setor.