O que muda para nós, pilotos, com o fim de uma era: a despedida das cartas de papel da Jeppesen
- 7 de nov.
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Por quase um século, elas foram a espinha dorsal de todo briefing e o companheiro de cada jornada: as lendárias cartas de papel da Jeppesen. Agora, elas estão oficialmente com os dias contados.
Em um marco histórico, mas inevitável, a Jeppesen anunciou, em boletim de 5 de setembro de 2025, o encerramento da produção das versões impressas até 31 de outubro de 2026.
Para nós, pilotos, as razões são mais que diretas — são a realidade do nosso dia a dia:
Alto custo operacional: impressão, envio e, principalmente, a atualização constante de montanhas de papel.
Migração total: a indústria abraçou o formato digital, impulsionada pela eficiência dos Electronic Flight Bags (EFBs) e dos aviônicos de última geração.
Enquanto o papel se prepara para sair de cena, a missão do piloto brasileiro é clara: planejar a transição, garantindo a conformidade com as regras da ANAC.
O que diz a ANAC
A principal norma nessa transição é a Instrução Suplementar (IS) nº 91-002D da ANAC, que estabelece as regras para o uso de EFB. E aqui está a boa notícia que todo piloto quer ouvir: não é preciso um processo formal de certificação para migrar para o EFB.
Em termos práticos, você pode deixar a pasta pesada de papel no solo, contanto que mantenha o foco nos seguintes pilares:
A responsabilidade é sua: o EFB é tratado como um Dispositivo Eletrônico Portátil (PED), e o Piloto em Comando (PIC) é o responsável final pela segurança e conformidade, conforme o RBAC 91.3(a).
Não-interferência: O uso está previsto no RBAC 91.21(b)(5) – desde que não haja interferência com os sistemas de comunicação e navegação da aeronave.
Validade e Precisão: as cartas digitais devem estar atualizadas e adequadas para a rota.
Backup obrigatório: você deve sempre dispor de um meio alternativo funcional – normalmente, um outro EFB.
Em resumo: sim, é possível voar 100% paperless, sem burocracia de autorização formal, desde que os dados sejam atuais, não haja interferência e você tenha um backup confiável a bordo.
Entendendo o EFB: Hardware e Software
Para que o conceito de EFB seja claro, é importante categorizar o que usamos no cockpit e o que diz a ANAC:
Classificação do Hardware (os dispositivos)
Tipo de EFB | Descrição |
Classe 1 | Portátil (tablet ou notebook), não fixado à estrutura da aeronave. |
Classe 2 | Fixado (mas removível), podendo ser alimentado pelo sistema elétrico da aeronave. |
Classificação do Software (os aplicativos)
Tipo de Aplicativo | Exemplos de Funcionalidade |
Tipo A | Manuais de Voo, AIP, NOTAM, Checklists e listas de equipamentos. |
Tipo B | Cartas Eletrônicas (IAC, SID, VAC), cartas de rota, cálculo de performance, meteorologia. |
A aprovação formal da ANAC não é exigida para EFBs de Classe 1 ou Classe 2, utilizando aplicativos Tipo A ou B. Essa flexibilidade é a chave para a transição imediata no RBAC 91.
Faça um registro formal da transição
Como gosto de afirmar, "guarde a Lei e a Lei te guardará". Apesar da facilidade da migração, a ANAC exige que a substituição do papel pelo digital seja um processo consciente e documentado, especialmente se você for dispensar o papel como backup.
Durante o Período de Transição
Backup Inicial: você deve manter o material impresso a bordo como seu meio alternativo de acesso à informação.
Duração: o período não tem prazo fixo. Ele termina quando o operador comprova a confiabilidade do sistema digital.
Dica da Jinkout: registre formalmente o início da transição, preferencialmente em seu Diário de Bordo: "início do período de transição para uso exclusivo de EFB, conforme IS 91-002D".
A responsabilidade do Comandante
A tecnologia é uma ferramenta poderosa, mas não isenta o PIC da responsabilidade final. Seu foco deve ser em garantir a operacionalidade do EFB, como faria com qualquer outro sistema essencial a bordo:
Atualização: assegurar que todas as informações (cartas, AIP, manuais) estejam válidas e atualizadas.
Disponibilidade: garantir que a bateria do EFB tenha autonomia suficiente para toda a missão (táxi, voo, destino, alternativa e espera).
Backup: manter o meio alternativo de acesso (segundo EFB ou material impresso durante a transição).
Uso dedicado: utilizar o EFB apenas para fins operacionais.
Posicionamento: assegurar que o EFB não interfira nos comandos e esteja visível em todas as fases do voo.
Recomendações Práticas no Cockpit
Tamanho de Tela: mínimo de 7,9" (preferencialmente 9" ou mais) para facilitar a leitura.
Fixação: usar um suporte seguro que não bloqueie instrumentos ou comandos.
O Essencial: mantenha apenas os aplicativos estritamente essenciais instalados para evitar distrações.
Verificação Pré-Voo: carga de bateria, atualização dos dados e integridade geral do dispositivo.
Concluída a transição
Uma vez comprovada a confiabilidade do seu sistema digital, o papel é dispensado! A partir daí, o backup digital (o segundo EFB) é o seu substituto. A responsabilidade do PIC, no entanto, se mantém imutável: informações válidas, energia suficiente e acesso garantido.
Manobrando contra a burocracia
A digitalização do cockpit é um caminho sem volta, mas a transição exige responsabilidade regulatória. A Jinkout está ao lado de operadores e pilotos para simplificar o processo de adequação e garantir a conformidade documental.
Afinal, nem só de cartas Jeppesen vive um EFB: sejam LOAs (GRF, PBN, RVSM, CPDLC, NAT-HLA e EFVS), MEL, NEF ou um EASA Ramp Inspection Compliance Manual, nossa equipe trabalha para que sua operação atenda a todos os requisitos e você esteja com a documentação sempre em dia.
Jinkout: sua manobra contra a burocracia.





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