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Quando você ignora o briefing de segurança, não arrisca só a sua vida

  • há 2 dias
  • 2 min de leitura

 

Sempre me chama a atenção como as pessoas não dão a menor importância para o que está sendo instruído dentro da aeronave — e não estou falando de um mero detalhe , mas de orientações que existem por um motivo bem concreto.

 

É comum ouvir o anúncio: “a aeronave está sendo reabastecida, mantenha seus cintos de segurança desafivelados”. Olho para o lado e a cena se repete: todo mundo com o cinto atado, olhar fixo no celular, como se ele não tivesse nada a ver com isso. O mesmo acontece com aquele aviso básico de organização e segurança: bolsas e mochilas na primeira fileira e nas saídas de emergência devem ir para o compartimento superior. Óbvio que muitos não ouvem. Aí, o briefing termina, o comissário passa, pede para guardar, e o passageiro ainda demonstra surpresa. Pelo amor de Deus, não ouviu o que acabou de ser dito?

 

E é exatamente aí que a conversa fica desconfortável, mas necessária. Porque essa desatenção não coloca em risco só a própria pessoa; ela pode comprometer a segurança de quem está ao lado. Se alguém não presta atenção nem no que é anunciado de forma clara e repetida em situações comuns, o que acontece quando algo foge do normal?


Numa emergência, essa pessoa conseguirá operar uma saída de emergência? Vai se recordar das instruções da tripulação? Ou vai tentar pegar a mala no bagageiro e transformar o corredor num gargalo, atrasando a saída de outros passageiros?

 

Quando lemos relatos e investigações de evacuações reais, aparecem sempre os mesmos padrões: gente travando a saída, tentando recuperar bagagem, bloqueando o corredor, demorando para compreender ordens simples. Numa evacuação não existe “só mais um pouquinho”; cada segundo conta, e o atraso de um passageiro vira o risco de muitos.

 

Há ainda um ponto que pouca gente diz com a franqueza necessária: isso também é falta de educação. Existe alguém trabalhando ali, de pé, explicando procedimentos diretamente ligados à sua segurança. Ignorar deliberadamente (celular, fones, conversa paralela, olhar para qualquer lugar) não é só distração moderna; é desrespeito. Em qualquer outro ambiente isso soaria absurdo. No avião, por algum motivo, foi normalizado.

 

E, no entanto, quando a emergência surge, o cumprimento de regras faz a diferença. Basta lembrar do caso do Airbus A350 da Japan Airlines em Haneda, em 2 de janeiro de 2024: a aeronave foi consumida pelas chamas e, ainda assim, todos os ocupantes saíram com vida. Entre os fatores frequentemente citados está a disciplina a bordo e o cumprimento imediato das instruções — inclusive a decisão de abandonar bagagens.

 

A aviação é extremamente segura, e não por acaso: existe um sistema inteiro trabalhando para isso — manutenção, procedimentos, treinamento, operação e tripulação. Todo mundo ali leva a sério o papel que lhe cabe. Talvez seja razoável esperar o mesmo de quem está sentado na poltrona.

 

Na próxima vez que o briefing começar, faça o básico bem feito: guarde o celular por alguns minutos, tire os fones e preste atenção. Parece pouco, mas é exatamente nos detalhes que, quando a situação aperta, a segurança se constrói. Além disso, é também uma forma simples de demonstrar algo que nunca deveria sair de moda: educação e respeito por quem está ali cuidando da sua segurança.

 
 
 

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